Jiu-jitsu: uma história brasileira

O jiu-jitsu brasileiro é um dos esportes mais conhecidos do Brasil. Isso não é uma coincidência; enquanto o jiu-jitsu é frequentemente associado com o Japão – e de fato é onde suas raízes estão – o Brasil e os brasileiros tiveram um papel fundamental na sua transformação tal como ele é hoje. Tanto que, no exterior também, é muitas vezes chamado de Brazilian jiu-jitsu, ou BJJ.

Tudo começou em 1904, quando Mitsuyo Maeda, instrutor japonês de jiu-jitsu e filho de um lutador de sumô, embarcou em uma viagem ao redor do mundo para espalhar sua arte por meio da demonstração de sua eficácia contra oponentes de diferentes tamanhos e modalidades de luta. Ele visitou vários países, inclusive Estados Unidos, Inglaterra, Bélgica, Argentina, Chile e Costa Rica.

Em julho de 1914, ele chegou a Belém do Pará. Foi no Brasil onde ele firmou as suas raízes, finalmente se naturalizando brasileiro em 1930 e adotando o nome de Otávio Maeda.

A família Maeda. Fonte: bjjheroes.com

Maeda morreu no Brasil em 1941, mas não antes de treinar Carlos Gracie. O Carlos, tendo o visto lutando e conseguindo vitórias impressionantes, queria aprender.

Maeda se ofereceu para treinar o Carlos como presente, porque o pai do Carlos tinha o ajudado a se estabelecer no Brasil. Ele foi além de meros golpes, também ensinando os valores da arte bem como encorajando uma dieta saudável.

Foi o Carlos que passou o jiu-jitsu para sua família, inclusive seu irmão, Hélio. Em 1925, o Carlos abriu a primeira academia da família, a qual se tornaria o grande nome do jiu-jitsu.

Ambos Carlos e Hélio tiveram muitos filhos faixa preta, e ambos foram essenciais para a criação do jiu-jitsu brasileiro.  Já o Hélio, por ser franzino, foi desenvolvendo e adaptando o jiu-jitsu e os dois irmãos tiveram estilos diferentes de lutar; foi assim que o jiu-jitsu brasileiro surgiu.

A família cresceu tanto em tamanho quanto em habilidade, e enquanto a família ia crescendo, o esporte ia ficando mais conhecido.

Curiosamente, foi o Rolls, filho biológico do Carlos, mas que foi criado pelo Hélio, que realmente formalizou o esporte que sua família tinha trabalhado tanto para desenvolver e disseminar.

O jovem Rolls depois de ganhar a faixa preta. Foto: Arquivo Pessoal, VICE.

O Rolls passou muito tempo viajando e conhecendo culturas diferentes. Isso foi algo que ele trouxe para a prática do jiu-jitsu. Ele estudou várias formas diferentes de combate que poderiam ser introduzidas à arte marcial.

Ele também introduziu mais estrutura, especificando limites e criando torneios. Ele foi fundamental na criação e no crescimento da Federação de Jiu-Jitsu no Brasil, que estabeleceu regras e faixas.

Desde então, a família tem crescido e se espalhado. O jiu-jitsu ainda corre no sangue (inclusive das mulheres). O filho do Rolls, confusamente nomeado Rolles, mora nos Estados Unidos, onde dá aulas de jiu-jitsu na academia do seu primo.

Ele acredita que se o Rolls não tivesse morrido em um acidente voando de asa delta, o jiu-jitsu seria um esporte olímpico.

A história do jiu-jitsu é sobre compartilhar culturas, experiências e talentos. É uma história de disciplina, dedicação e muito treino. Sem uma mente aberta e o compromisso de espalhar esta arte pelo mundo por parte do Maeda e a família Gracie, o jiu-jitsu não seria o que é hoje.

Na Compassiva, temos um projeto de jiu-jitsu chamado Dojo. Em japonês, ‘Dojo’ significa ‘o caminho’, ‘estrada’, ou mais literalmente ‘lugar de treino’.

Através deste projeto, que oferece aulas toda terça e quinta-feira na sede da Compassiva, buscamos mostrar para crianças e adolescentes vivendo em situações de vulnerabilidade um caminho positivo para suas vidas.

Aprendem trabalho em equipe, disciplina, e uma maneira de canalizar suas emoções e energia. Oferecemos lanches saudáveis, inclusive frutas doadas semanalmente, depois do treino.

Além disso, naturalmente eles se divertem enquanto o nosso instrutor oferece o seu tempo e suas habilidades para ensinar, assim como o Maeda fez com o Carlos Gracie.

Ao passar os valores do jiu-jitsu para estas crianças e adolescentes, esperamos gerar transformação em suas vidas. Queremos que eles também possam sonhar como o Maeda e a família Gracie.

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